segunda-feira, 4 de abril de 2011

Estou pleno agora, preenchido por suas cartas de saudade seu cheiro deixado no travesseiro pleno do seu casaco molhado de chuva dos seus fluidos elementares dos seus cabelos penteados Estou sem fendas, sem vazios porque suas palavras me tomaram pelo avesso. Enquanto pronuncio seu nome a plenitude consome toda minha casa escura vai cavando luzes muito fundas, achando flores e frutos deixando soterrada a tristeza. Falo de amor, vou semeando-o aos quatros ventos, lançando seus grãos miúdos na terra molhada sentindo o vento fresco roçar no rosto bebendo águas de fontes incomensuráveis, alimentando-me de pão e seiva bruta durmo recostado no seu coração trago-te enquanto dormes, o montão de estrelas, a lua leitosa e branca. No oficio desse sentimento o coração explode porque quer ultrapassar todo muro todo concreto todo aço que pode nos separar. Estou na obrigação do amor porque só há vida quando ela é vivida para alguém. Totalizado, alimento-me durmo acordo com palavras generosas beijo namorado família amigos elas crescem em silêncio no seu coração caem na minha boca como frutos já maduros e fazem nascer do meu corpo humano essa plenitude que sinto agora.

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