domingo, 12 de setembro de 2010

Quatro

A noite tece com esmero e cuidado
o vindourou amanhã
do dia que será o mesmo.

Sobre nossas cabeças
o céu da cidade finda em garoa fina
Corremos para debaixo dos pontos de ônibus.

Sua camiseta rosa
exala cheiro de roupa lavada
misturada com perfume.

Meu rosto olha o seu.
Estão ambos molhados,
nos encontramos de novo:

Nossos sonhos
no meio da cidadezinha calma
despertam com o cheiro de café.
Como são quentes as noites aqui
enquanto aguardamos ela chegar
A geografia de seu quarto revela os afazeres do colégio.

Quando finalmente ela adentra a porta do lar
esperamos ansiosos por seu carinho.
Alimentamo-nos de riso, leite e promessas.
Logo em seguida, ele sobe as escadas
Estamos completos agora.
Nossa casa tece em cada um de nós
infindaveis tramas e nós cujo desenho
é impossível se ser apagado.

A garoa torna-se chuva
as tramas e os nós
se afrouxam
E cada um de nós quatro
nos perdemos de vista.
O dia agora é sempre o mesmo:
e com que facilidade esqueço
o que comi, bebi e vivi hoje...

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