domingo, 6 de junho de 2010

Sobre o Tempo

Fotos de infância, guardam consigo certa melancolia d’um tempo extinto. Deveríamos proibir qualquer elo entre o tempo morto e o que há de morrer. Proibamos também o devir. Meu sonho de todos os anos de minha vida, seria encontrar-me face a face com uma foto sempre atual, que não expressasse ausência, mas antes, afirmasse o agora. Nossa luta com o tempo se dá na própria existência. Corpo à corpo com o dia-a-dia, mas ambos deixam se ser. Talvez não exista razão de ser. Somos puro nada, entrevados no porvir de um nada maior ainda. Corrói-me o Tempo. Fujo para as páginas de um livro.
Releio Hilda. Os poemas estão mais pesados, espessos e carregam consigo certa verdade inquebrantável. A parte disso, ou melhor, como fruto dessa leitura, não consigo deixar de temer o tempo. Antes de Deus e de toda sua obscuridade axiomática, o tempo está diante de nós. Como encará-lo? Se pelo menos todos os meus desejos já tivessem sido realizados, estaria mais calmo. Já disse o poeta “a tarde talvez fosse azul, não houvessem tantos desejos”. Pois é, ele estava mais que certo! Disso emana em mim uma pergunta: só há desejo se houver tempo ou o tempo não depende do desejo para existir? Só quem sabe é Deus, e este, é mais assustador que o próprio Tempo.

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