Adentra quente a noite que corre por entre os vidros do ônibus.
Estou as voltas com tudo mais.
Fixo-me, atento, a mudança das ruas.
Passam árvores, igrejas, pessoas e charros perdidos.
Apreendo pelo movimento o sentimento do tempo.
Percebo através do vidro embaçado
esta minha condição temporária.
Dez da noite, em uma grande rodovia, voltando pra casa,
me dou conta de que um dia desses, todos esses objetos
que eu vi passarem diante dos meus olhos
não sentirão a minha falta.
Eis o pesar dos homens:
a ausência que nos faz andar, afinal,
voltar para a casa é preciso.
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