sábado, 29 de agosto de 2009

Moira

Regando a felicidade
na embriaguez do agora,
Átropo rompeu o fio da vida
Como quem rompe um suspiro
de espanto
Diante
à fraqueza do riso
que se ouve pranto...

Pequena meditação acerca do que é verdadeiro





A verdade está onde o eterno está. O eterno, por sua vez, está em tudo. Sua definição comporta a infinitude, o não divido em partes. A alma é mais simples de conhecer do que o corpo, pois esta, não é divisível como o corpo. A alma é eterna porque é simples. As partes do corpo se dividem e morrem. Já a alma não pode ser divida e por isso mesmo não pode morrer.
Os sentimentos que a alma comporta são eternos, porque também não podem ser divididos ou mensuráveis. Não posso dizer “tenho cinco metros de raiva hoje”.
Alma é eterna, o amor está na alma, então, o amor é eterno. Não se pode lutar contra o que nunca feneceu nem nunca fenecerá. Somos todos eternos amantes.
Se a alma é mais fácil de conhecer do que o corpo, pelos motivos anunciados acima, como conseqüência explicita, o amor é mais fácil de conhecer do que qualquer outra coisa que seja divisível.
Aqueles que não conhecem a alma não conhecem, por conseguinte, a verdade acerca das coisas. Conhecimento é o conhecimento daquilo que nos faz feliz. Conhecer algo que não nos encaminhe para a felicidade é perda de tempo e ilusão de mundo.
Conhecer o eterno é conhecer o que é verdadeiro por excelência, é poder vislumbrar o que o vir a ser não corrompe. Mas, vivemos sobre a ordem do devir, então, quando nos exortamos à busca do que é verdadeiro, chegamos por fim aquilo que é eterno.
Tocar o eterno é tornar-se eterno. Tornar-se eterno é conhecer a mais bela e única verdade. Conhecer a única verdade é ser guiado até o mais nobre dos sentimentos. O amor que reside na alma é o bem mais valioso para a felicidade.
Por fim, o supremo objeto de conhecimento e felicidade é o eterno e suas conseqüências belas e virtuosas. A alma, simples, jamais perecerá. Aquilo que anima não pode comportar o seu oposto. A eternidade nos garante a felicidade e o conhecimento único acerca de toda vida humana e para além dela.
Tocar o eterno é conhecer a alma e seu sentimento mais nobre. Portanto, conhecer o que nunca deixou de existir é conhecer, como resultado, a si mesmo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A Imaginação, o amor-próprio e o amor de si no pensamento de Jean-Jaques Rousseau – Amor-próprio como desconhecimento de si mesmo.



Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.

Álvaro de Campos[1]



Falar deste filósofo francês que, sem sombra de dúvidas, foi um dos grandes servidores público da humanidade é fazer evocar a tessitura original do papel da Filosofia para com os homens. É poder transcender a realidade, sem, contudo, deixá-la de vista. Falar de Rousseau é falar do homem corrompido, tirano para com a natureza esquecida, mas também, é chamar em nossa presença um outro homem, radicalmente diferente deste de hoje; é, sem delongas, trazer através da potência da imaginação, um mundo novo, completo e cheio de calor.
Para bem entendermos o papel fundamental da Imaginação na Teoria do Conhecimento de Rousseau, será preciso antes, definir alguns termos e movimentos necessários que compõem sua epistemologia.
Lembremos que para o filósofo francês, a razão e a reflexão não são possíveis sem o ato de imaginar, pois, é a imaginação aquela quem determina as relações entre as coisas para que as idéias possam surgir. Contrário ao século XVII, Rousseau situa a imaginação no topo das “funções da alma”, e é ela quem ordena a razão, as reflexões, as paixões e as sensações internas. Indo muito além disso, entendemos que sem a imaginação não há razão. Portanto, é esta faculdade de imaginar que situa o homem no mundo. Se outrora era necessário atentar para os perigos e erros da imaginação quando nos voltávamos para o conhecimento do mundo, ou seja, para o conhecimento acerca da verdade das coisas, no pensamento de Rousseau, a imaginação é predominante para que possamos conhecer o mundo, e, sobretudo, para que possamos conhecer a nós mesmos enquanto homens inseridos em uma cultura e sociedade. A imaginação se torna o índice da própria humanidade do homem.
Em Rousseau et la réalité de l´imaginaire, M. Eigeldinger expõem a originalidade da imaginação para a constituição da Teoria do Conhecimento de Rousseau, ele nos mostra tal originalidade pela afirmação da autonomia da imaginação em relação às outras “funções da alma”, como a percepção e a memória. Tal autonomia está fundada na espontaneidade da imaginação entendida como poder criador, posto que ela não reproduz o que já foi dado, mas, instaura uma realidade inédita.


(...) l’imagination, inpliqué par cette liberte, c’est la mobilité. Le pouvoir de saisir les mouvements interns et externes, d'exprimer le devenir des êtres et des chose de la pensée et du sentiment. L’ imagination est de toutes les facultés la plus dynamique, elle est l’âme du mouvement, en ce sens qu'elle le suscite et le traduit.[2]


Podemos perceber através deste pequeno fragmento, o poder que a imaginação tem na constituição do homem. Como escreve M. Eigeldinger, esta faculdade tem o poder de exprimir o devir dos seres, do pensamento e, também, dos nossos sentimentos. Ela é a dýmanis[3] de todas as ações humanas, a alma do movimento, na medida em que ela cria e transforma o mundo, ela nos possibilita passar do finito ao infinito.
Imaginar é criar um mundo à parte muito mais forte que o mundo real; aquele que imagina tem a liberdade de imaginar o que quiser, é livre para ultrapassar as barreiras do preconceito, da barbárie e de toda injustiça. Pensar o mundo, só é possível, na medida em que imaginamos. Devemos lembrar que sem esta faculdade fundamental, a razão não existiria. O homem que imagina, é livre, mas, há de se perceber os perigos que o imaginário evoca perante nós.
Devemos sublinhar então, certo papel ambíguo da faculdade de imaginar, que está presente no Emílio, onde lemos:

As instruções da natureza são tardias e lentas; as dos homens são quase sempre prematuras. No primeiro caso, os sentidos despertam a imaginação; no segundo, a imaginação desperta os sentidos; dá-lhes uma atividade precoce que não pode deixar de irritar e enfraquecer primeiro os indivíduos, depois a própria espécie, a longo prazo.[4]


É preciso que os sentidos, identificados aqui como as instruções da natureza, despertem a imaginação. Os sentidos são abordados com maior clareza no capítulo II do Emílio, e são constituídos pela visão, o olfato, a audição, o tato e o paladar. Estes cinco sentidos, são externos ao homem, ou seja, estão presentes no mundo, como exemplo, podemos ver uma fruta já madura cair de uma árvore, com isso, ouvimos o som da queda e, se nos propusermos a pegá-la, sentiremos seus relevos, sua textura, conseguiremos apreciar seu cheiro. Caso queiramos apreciar seu sabor, a colocaremos na boca, então poderemos sentir seu sabor doce. Agora, o prazer de comer tal fruta doce, está ligado às sensações internas, que são representativas e por isso mesmo abstratas. Tal sensação, também chamada de sensação afetiva, já carrega consigo a imaginação, e esta, está ligada de forma estreita com as sensações externas que são as próprias sensações físicas. Para que as sensações internas tenham algum sentido para nós, faz-se preciso sua passagem através da imaginação. Por conseguinte, é a imaginação quem faz emergir o entendimento das sensações afetivas presentes em nós.
Na epistemologia rousseauniana, “os nossos sentidos são os primeiros instrumentos dos nossos conhecimentos, o seres corporais e sensíveis são os únicos cuja idéia temos imediatamente” [5]. É preciso pontuar que os sentidos, são a fonte única de todas as nossas paixões, e é a imaginação quem determina sua inclinação:


A fonte de todas as nossas paixões é a sensibilidade, a imaginação determina sua inclinação. Todo ser que sente suas relações é necessariamente afetado quando essas relações se alteram e quando imagina ou acredita imaginar outras relações mais convenientes a sua natureza. São os erros da imaginação que transformam em vícios as paixões de todos os seres limitados (...) [6].


O problema que Rousseau nos apresenta em relação à imaginação, está intimamente ligado com o seu Discurso Sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens, pois ao adentrarmos no universo das relações sociais, e, na medida em que estendemos nossas relações com os outros, despertamos em nós o amor-próprio, contrário ao amor de si que presente no homem em estado de natureza.
O amor-próprio é o sentimento que prefere a nós mesmos, que quer obter a preferência de todos, indo além, este sentimento traz o desejo de querermos ver voltados para nós os olhares de todos. O outro, passa a ser o contrário de mim, ou seja, a negação de mim, por isso, o outro passa a ser encarado como um risco à minha existência. Este sentimento faz emanar um antagonismo, pois, para amar a mim mesmo, devo odiar o outro. Quando o homem se torna um ser social, o amor, por conseguinte, também se torna uma paixão social, assim nos desviamos do amor de si. É preciso lembrar que o amor, para Rousseau, é um produto da razão humana, uma invenção, que podemos circunscrever com a expressão: “só amamos porque pensamos”. Por agir através do amor-próprio, todo homem inserido na sociedade deseja ser amado, ser eleito o preferido por todos os outros. Lemos:


Queremos obter a preferência que concedemos; o amor deve ser recíproco. Para ser amado, é preciso tornar-se amável; para ser preferido, é preciso tornar-se mais amável do que os outros, mais amável do que qualquer outro, pelo menos aos olhos do objeto amado. Daí os primeiros olhares para os semelhantes; daí as primeiras comparações com eles, daí a emulação, as rivalidades, o ciúme. (...) Quem sente como é doce ser amado gostaria de sê-lo por todos (...) Com o amor e a amizade nascem os desentendimentos , a inimizade e o ódio. Do seio de tantas paixões diferentes vejo que a opinião constrói para si mesma um trono inabalável, e os estúpidos mortais, submetidos a seu império, baseiam sua própria existência somente nos juízos de outrem.[7]


São as ampliações de nossas relações sociais a causa da subversão do amor de si ao amor-próprio. Quando o homem em estado de natureza se torna esclarecido e toma contanto com outros homens, é esse o momento em que ele passa a fazer escolhas, a julgar e a preferir, e só preferimos após ter comprado[8]. As preferências estão fundadas em julgamentos, e estes julgamentos estão no plano do entendimento humano.
O amor de si, contrário ao amor-próprio, é a pureza original que está presente no bom selvagem, é a paixão natural que supõem a piedade natural. Poderíamos comparar esse sentimento às necessidades básicas da alimentação e da sobrevivência, presentes na constituição do bom selvagem. Livres do império das opiniões, o homem amava e sentia piedade de todos os seres, quando o olhar do outro não era índice de aceitação e coerção, o bom selvagem habitava e andava livre, encontrava a si mesmo longe dos grilhões que as relações sociais carregam consigo.
Localizado nas cidades, o lugar por excelência dos símbolos, onde há o excesso de objetos materiais, habita esse homem que vive sob as condições do amor-próprio, e que a todo o momento é acometido pelos mais diversos desejos. Em La ville, la fête, la démocratie: Rousseau et les illusions de la communauté, sobre tudo o capítulo L´ambivalence urbaine, Paule Monique Vernes escreve: la ville est le lieu privilégié du recouvrement de l'invisibilité de l'essentiel[9], ou seja, na medida em que somos impregnados pelos mais diversos objetos, o essencial para a sobrevivência humana é esquecido, torna-se invisível diante dos olhos que fica impressionado com a diversidade e a pluralidade de objetos. O homem, por sua vez, passa a desejar esses objetos que são criados a partir da instauração do mundo social; o olho, agora não mira mais a paisagem natural, não vê o outro com piedade, mas, tornar-se um instrumento de censura que observa as ações e os comportamentos alheios. Acerca disso, Rousseau, no Emílio escreve:


Não façais com que nele germinem o orgulho, a vaidade, a inveja, através da imagem enganosa da felicidade dos homens; não exponhais logo a seus olhos a pompa das cortes, o luxo dos palácios, o atrativo dos espetáculos; não o leveis a passear nos círculos, nas brilhantes assembléias. Não lhe mostreis o exterior da grande sociedade (...) [10].


Devemos insistir em dizer que são os erros da imaginação que transformam em vícios as paixões de todos os seres, todavia, é preciso lembrar que tal imaginação que torna as paixões em vícios, é a imaginação orientada pelo amor-próprio, pois, como já fora escrito acima, o homem cercado por infinitos objetos e uma extensa relação social, acaba por desejar infinitamente. O desejo é o enfraquecimento do indivíduo que é alimentado por uma imaginação que floreia as situações.
Somos levados a distinguir agora os dois tipos existentes de imaginação que estão no cerne da epistemologia rousseauniana, são elas: imaginação reprodutora e imaginação criadora. A primeira, apenas reproduz aspectos concretos dos objetos, ela se limita, como a palavra indica, a reproduzir, quer dizer, a evocar imagens. A segunda, por sua vez, é a imaginação propriamente dita, pois, consiste em combinar imagens e criar algo “ela não imita a realidade percebida ou gravada pela memória, mas se nutre dela, e dela se solta para inventar outra realidade, segunda e autônoma” [11]. Podemos perceber que está imaginação criadora tem como característica essencial a liberdade. Ela dá ao homem o privilégio da espontaneidade. Mas, é preciso cautela, pois é esta imaginação livre para criar, aquela que busca as preferências, o objeto de fora e o olhar de todos.
A imaginação criadora, sob a condição do amor-próprio vai trazer para o homem o desejo de ser escolhido o melhor entre todos os outros homens. Na medida em que buscamos a preferência, mascáramos a nós mesmos, deixando de ser quem somos. Parece bem propício evocar uma antiga frase do templo grego de Delfos, que diz: “γνωθι σεαυτον” [12]. O homem que alimenta o amor-próprio, ao mascarar-se para poder ser amado, e, por conseguinte, obter a preferência, acaba deixando de ser a si mesmo, acaba deixando de reconhecer a si mesmo. A consciência é a voz da natureza, voz essa, perdida no percurso da história do homem que deixou suas origens em algum lugar de um tempo esquecido e apagado. Perdemos a consciência que tínhamos, na medida em que fomos deixando a natureza para trás. Sem poder avistá-la novamente, fomos, por assim dizer, exaurindo nossa identidade, apagou-se de nossos corações o conhecimento que possuíamos sobre nós mesmos. O conhece-te a ti mesmo sucumbiu, quando sufocamos a voz da natureza, quando pela primeira vez, adentramos em um condição social, e desse primeiro passo, cometemos necessariamente nosso primeiro pecado. Como um caminhante solitário à mercê do amor-próprio, fomos impregnando no mundo as manifestações dos sonhos, das loucuras e dos devaneios em meio às trevas inquebrantáveis da noite, eterna ruína. O homem não é mais senhor de si mesmo. E dentro desta ordem social, a imaginação torna em vício as nossas paixões, transformando-as em erro, e esse erro nos exorta a degradação dos costumes e da moral.
Podemos, finalmente, dizer que a imaginação criadora no homem que vive em um âmbito governado pelo amor-próprio, fá-lo desejar, logo, ele é exortado à busca da realização desses desejos, isto, como afirmamos acima, enfraquece o indivíduo, pois para alcançar tais desejos, ele buscará ser aquilo que não é. Este ato de ser aquilo que não se é, faz emanar nele uma contradição interna, ou seja, o homem deixa de ser ele mesmo para ser aquilo que agrada o outro. Ser e parecer começam a operar quando o homem é alimentado pelo amor-próprio. A imaginação inserida nesta situação, pode ser vista como um problema que se põem no seio da organização social.
A imaginação presente no amor de si, opõem-se radicalmente a esta outra que descrevíamos algumas linhas mais acima. A pitié[13], por exemplo, nasce da imaginação. Ninguém se torna sensível a não ser quando a imaginação se excita e começa a transpor o homem para fora de si mesmo. É quando eu olho um indivíduo acometido por certo mal, é que minha imaginação me faz sentir os seus males, me coloca em seu lugar, e desse movimento, a compaixão surge. O amor dos homens derivado do amor de si é o princípio da justiça humana, escrevera Rousseau.
O amor de si é uma paixão primitiva, inata no homem em estado de natureza, pois:


De todos os homens do mundo, os selvagens são os menos curiosos e os menos entediados; tudo lhes é indiferente; não gozam das coisas, mas de si mesmo; passam a vida a não fazer nada, e não se entediam nunca.[14]

O bom selvagem não disputa preferências, porque ele não está inserido em nenhum tipo de convívio social, ele vive sozinho saciando apenas as suas necessidades básicas que são a alimentação, o descanso e a reprodução. O amor de si não faz comparações, não destorce as paixões e comporta no homem apenas sentimentos de bondade e compaixão para com o outro.
Na origem da sociedade humana, a língua primitiva era “très prope à exercer l’imagination”, ela dependia desta faculdade, pois “cette faculté, seule capable d’inventer les signes nécessaires à l’expression de la pensée et des sentiments” [15]. Quando o homem está no registro do amor de si, a imaginação o confere a capacidade para que ele possa conhecer a si mesmo, seus sentimentos, os sentimentos do outro e o próprio mundo. Esta faculdade que imagina precisa da sensibilidade, ou seja, é por meio dos sentidos que a nossa imaginação é desperta.
Quando nossa imaginação desperta os nossos sentidos, ela nos enfraquece porque por meio dela, começamos a conferir a eles qualquer coisa de irritável. Podemos por meio do que acabamos de dizer, pontuar o alcance desta faculdade dentro da teoria do conhecimento de Rousseau. Ainda é preciso acentuar que o mecanismo da imaginação criadora, quando operando no estado de amor-próprio, faz o indivíduo se lançar à realização de seus desejos, desejos esses nascidos à partir de uma experiência de sociedade. Destarte, o imaginário funda o domínio da existência simbólica e a própria cultura. Para além desses dois fundamentos, a imaginação instaura o conhecimento do homem sobre si mesmo.
É preciso reencontrar nosso laço perdido com a natureza, fazer tombar o dominó que vestimos e já não sabemos mais como tirá-lo. Para tudo isso, é preciso retroceder ao amor de si, a origem primeira do homem, ao grito mais profundo do mundo, o grito da natureza.


Referências Bibliográficas:

Rousseau, J.-J. Discurso Sobre a Origem e a Desigualdade entre os Homens. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
(Coleção Os Pensadores).

________. Emílio ou Da Educação. São Paulo: Martins Fontes, 2004

Eigldinger, Marc. Jean-Jacques Rousseau et la réalité de l’imaginaire. Neuchâtel: La Baconnière, 1962.

Vernes, Paule-Monique. La Ville, la Fête, la Démocratie: Rousseau et les ilusions de la communauté. Paris: Payot, 1978.

[1] Trecho do poema Tabacaria.
[2] EIGLDINGER, Marc. Jean-Jacques Rousseau et la réalité de l’imaginaire. Neuchâtel: La Baconnière, 1962. Pg. 13.
[3]Potência
[4] ROUSSEAU, J.-J. Emílio ou Da Educação. São Paulo: Martins Fontes, 2004. Pg. 292
[5] Id., ibid., p. 357.
[6] Id., ibid., p. 298.
[7] Id., ibid., p. 291.
[8] Id., ibid.,p. 290.
[9] “A cidade é o lugar privilegiado da recuperação da invisibilidade do essencial”
[10] Id., ibid., p. 302.
[11] EIGLDINGER, Marc. Jean-Jacques Rousseau et la réalité de l’imaginaire. Neuchâtel: La Baconnière, 1962.
[12] Conhece-te a ti próprio.
[13] Pitié, pode ser traduzida aqui como compaixão.
[14] Id., ibid., p. 315.
[15] EIGLDINGER, Marc. Jean-Jacques Rousseau et la réalité de l’imaginaire. Neuchâtel: La Baconnière, 1962. Pg. 112.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sal

As desmesuras são eternas;
são como todos
os erros da vida,
Logo que atracam
tem preguiça de partir.
E como se eu já não
pudesse mais navegar
E já não pudesse mais
adentrar o mar salgado,
sentir teu gosto,
expremer da pele queimada
teu cheiro úmido e doce
gozar do suor cansado
pra depois
adormecer no vai-e-vêm
das ondas
que na costa
viram espuma quente
Fui me perdendo,
cambaleante
apenas
com o sal do choro
que caia feito
garoa fina
lá longe, na ponta da praia...

sábado, 8 de agosto de 2009


O devir é o próprio mar

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O devir é o próprio mar

o azul das águas
quase não se deixava ver
na medida em que a noite
levantava alta no céu.

enquanto caminhávamos,
beiravamos o mar
sem saber, que, na verdade
jamais poderiamos
fazer girar o tempo novamente.

o beiravamos
porque a vida é mar;
sua vastidão nunca desfeita
a incerteza de seus caminhos
o gosto de sal n'boca
com sua incomensurável profundidade
jamais conhecida.

e com os olhos cheirando lágrima
nos despedimos um do outro
porque havia de ser assim;
vaga onde
indo de encontro ao cais
para depois se partir em duas...

a vida é toda ela cheia de mar
de imensidão etérea
d'um frescor salgado
às vezes,
digna de náuseas, afogamentos, transbordamentos.
O mar é bom de amar
mas há de se ter cautela.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Setsuko (Hotaru no Haka)


Às vezes eu também me sinto assim.

Haikais para uma estação

casa sem sol
inverno sem fim
'outro sonho congelado.

o menino com frio
espera secar
o cachecol no varal.

chuva e frio
guarda-chuva e blusa
morte intrusa!

a neve que cai
maltrata sem querer
a mão que trabalha.

Sobre a ilusão das coisas

O que dói profudamente, é, sobretudo, a antevisão da separação. O fim do eterno, percebido como fraqueza. Há quanto tempo esse elo está se rompendo? Será que não quisemos perceber a descontinuidade que acabava de nascer? Há tempos estamos prevendo um certo fim, e desse certo fim, a partida sem volta. É preciso aceitar esse ruído das coisas que se descolam. Estamos com medo porque éramos tão depentendes uns dos outros. Há sempre o tempo do fim. Há que se aceitar a constante finitude do começo. A vida é curta, o amor é curto, só o fim é que é cooooomprido!