segunda-feira, 29 de junho de 2009
Com um pouco de frio
- Às vezes, quando saio e já está escuro, sinto-me confundido com os prédios. Todo eu transpassado por qualquer coisa que não vale à pena sentir. Eu sumo porque a noite faz as coisas sumiram de nossas vistas.
Eu poderia amar, caso o dia não findasse nunca. Poderia gostar mais de todas essas pessoas, transeuntes do anoitecer, se eu não tivesse medo por ser o único que falhou em tudo, mas, falhou porque quis falhar. Há anos, tenho uma teoria para as minhas falhas, para os meus medos e receios, mas não convém explicita-la hoje.
Apenas pense: nós poderíamos rir juntos até o dia seguinte; rir eternamente de uma vida toda encantada e cheia de possibilidades. Possibilidades que nos levariam além do pronto, usual e desgastado. Teríamos nosso próprio mundo, regido pela essência mais íntima que nunca fenece.
Não haveria horóscopo cheio de tagarelice, jornais e suas matérias esdrúxulas. Baniríamos a tagarelice em massa. Está eminentemente proibido tagarelar sobre os assuntos do Fantástico, Super Pop e vídeos do youtube!
Deixaríamos para trás a noite que é tão mais escura nas grandes cidades, tão mais cheia de pessoas, prédios, carros e grandes avenidas.
Eu queria poder amar mais, mas veja, não me restou nada se não a temerosa sobriedade que causa espanto e indiferença por parte das pessoas. Sobrou-me no bolso esquerdo do casaco já surrado pelo frio, páginas de alguns romances. No direito, apenas balas, uma caneta e gomas de mascar. Não tenho nada que meça mais de dois metros de altura, porque eu próprio tenho um metro e setenta e seis centímetros.
Só o frio é gratuito. Só a noite é que avassaladora e grande, muito grande.
Estou com um pouco de frio e começou a chover agora...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Poema pregado
A casa vazia,
me dá todos os motivos
para limpá-la
em meu mais absoluto sigilo sobre mim mesmo.
Só ela e eu é que verdadeiramente sabemos o que faço de mim.
Suas paredes, seu chão de piso frio
O quadro-cópia de Gustav Klimt, pregado exausto na parede
Nossas garrafas vazias,
meu único copo, também todo ele preenchido de vazio
esses pequenos vãos das fechaduras
o prato sujo ainda da última refeição sob à mesa;
tudo isso contendo a reação das minhas meias ações.
Queria colocar um retrato na parede
daquela tarde que estaríamos
passeando no parque
e a noite não saberia vir até nós.
A tarde seria interminável, como os desejos são.
Queria encher dois copos com vinho
pra ouvir o barulho de um brinde anunciado
qualquer coisa de especial.
Sob a mesa um jantar que não fosse
aquela comida congelada
que todos os dias eu aqueço no forno.
A casa é só minha
ímpar comigo mesmo,
e vou deixando rastros aos pares
em todos os seus cômodos
só para poder limpá-la
em um final de tarde de domingo
só pra que eu possa me vestir com alguns retalhos de vida.
Mas hoje
Antes de limpá-la,
veio a vontade de
mudar os móveis e os objetos de lugar,
toda refeita e nova
sempre para mim...
me dá todos os motivos
para limpá-la
em meu mais absoluto sigilo sobre mim mesmo.
Só ela e eu é que verdadeiramente sabemos o que faço de mim.
Suas paredes, seu chão de piso frio
O quadro-cópia de Gustav Klimt, pregado exausto na parede
Nossas garrafas vazias,
meu único copo, também todo ele preenchido de vazio
esses pequenos vãos das fechaduras
o prato sujo ainda da última refeição sob à mesa;
tudo isso contendo a reação das minhas meias ações.
Queria colocar um retrato na parede
daquela tarde que estaríamos
passeando no parque
e a noite não saberia vir até nós.
A tarde seria interminável, como os desejos são.
Queria encher dois copos com vinho
pra ouvir o barulho de um brinde anunciado
qualquer coisa de especial.
Sob a mesa um jantar que não fosse
aquela comida congelada
que todos os dias eu aqueço no forno.
A casa é só minha
ímpar comigo mesmo,
e vou deixando rastros aos pares
em todos os seus cômodos
só para poder limpá-la
em um final de tarde de domingo
só pra que eu possa me vestir com alguns retalhos de vida.
Mas hoje
Antes de limpá-la,
veio a vontade de
mudar os móveis e os objetos de lugar,
toda refeita e nova
sempre para mim...
domingo, 14 de junho de 2009
Cais de porto
"Oh mar, dame tu cólera tremenda,
Yo me pasé la vida perdonando,
Porque entendía, mar, yo me fui dando:
«Piedad, piedad para el que más ofenda». "
Alfonsina Storni
Foi brindando, desnorteada
os amores que outrora acariciavam suas lágrimas.Tristeza acalentada, o luar espelhou
teus negros e longos cabelos
nos cantos de Iemanjá;
enquanto o mar ia baixo,
batendo no cais de um porto vazio
Nas espumas do mar
ela se perdeu
Pra nunca mais voltar...
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Poema sem palavra
Há sempre uma terna e tênue esperança
quando digo que te amo,
quando quero abrir mão de todo eu
para ser só você.
Por mais que todos os poemas e todas as canções
tenham já descrito o amor de todos os tempos
eu te amo para além e aquém disso tudo,
desse medo
de dizer que te amo, assim, simples.
Queria que todas essas palavras
por mais fracas e limitas que possam ser
dissessem que eu te amo como quando eu sinto que te amo.
O amor nos vícia,
quer-nos imortal para ele.
Há sempre esperança nesse amor
que se repete todos os dias, mas que nunca é o mesmo.
Eu te amo quando o dia nasce,
e também quando a noite cai.
Mas já te amo de outro modo que só
cabe ao amor explicar,
um amor revestido outra vez mais.
Te amo no vir-a-ser desse amor
nessas mudanças corriqueiras
nas ilusões perdidas,
te amo em todas as precipitações finitas do mundo,
te amo como homem que tem sonhos inúteis
e que não sabe lidar contra o fim das coisas que nasceram
justamente para ter fim.
Porque se esse amor tão acolhido por mim, segue as regras da vida,
ele às vezes escapa fugaz, porém completo.
Adentra essa ordem eterna
para continuar te amando para sempre.
Para sempre, mesmo com as futuras rugas
e com toda a escassez dessa rotina pálida.
Te quero ontem em casa,
presente desde os primeiros tempos da vida
Te quero agora, de corpo inteiro
na fuga constante das horas
Te quero amanhã em casa desde ontem até agora
pra fazer girar o tempo
em direção ao nunca desfeito.
Tudo no mundo que é,
só é, porque vai um dia acabar.
O amor não foge à regra.
E, se um dia começou,
é porque um dia, irá também acabar.
Mas quero ele todo inteiro desde sempre até o para sempre,
quero-o repetidas vezes
do começo ao fim
Cada sorriso, assim como cada lágrima
rertonada eternamente.
Eu te amo, e mesmo mortal,
conservo bem acolhido em mim
a esperança que só tenho no amor.
Essa esperança de vê-lo adentrado
no jamais desfeito, no mundo sem tempo:
Te amo no ontem e lá
Te amo no agora e aqui
Te amo no futuro e para além do aqui e do lá.
Eu te amo na eterna fuga desse amor passageiro...
quando digo que te amo,
quando quero abrir mão de todo eu
para ser só você.
Por mais que todos os poemas e todas as canções
tenham já descrito o amor de todos os tempos
eu te amo para além e aquém disso tudo,
desse medo
de dizer que te amo, assim, simples.
Queria que todas essas palavras
por mais fracas e limitas que possam ser
dissessem que eu te amo como quando eu sinto que te amo.
O amor nos vícia,
quer-nos imortal para ele.
Há sempre esperança nesse amor
que se repete todos os dias, mas que nunca é o mesmo.
Eu te amo quando o dia nasce,
e também quando a noite cai.
Mas já te amo de outro modo que só
cabe ao amor explicar,
um amor revestido outra vez mais.
Te amo no vir-a-ser desse amor
nessas mudanças corriqueiras
nas ilusões perdidas,
te amo em todas as precipitações finitas do mundo,
te amo como homem que tem sonhos inúteis
e que não sabe lidar contra o fim das coisas que nasceram
justamente para ter fim.
Porque se esse amor tão acolhido por mim, segue as regras da vida,
ele às vezes escapa fugaz, porém completo.
Adentra essa ordem eterna
para continuar te amando para sempre.
Para sempre, mesmo com as futuras rugas
e com toda a escassez dessa rotina pálida.
Te quero ontem em casa,
presente desde os primeiros tempos da vida
Te quero agora, de corpo inteiro
na fuga constante das horas
Te quero amanhã em casa desde ontem até agora
pra fazer girar o tempo
em direção ao nunca desfeito.
Tudo no mundo que é,
só é, porque vai um dia acabar.
O amor não foge à regra.
E, se um dia começou,
é porque um dia, irá também acabar.
Mas quero ele todo inteiro desde sempre até o para sempre,
quero-o repetidas vezes
do começo ao fim
Cada sorriso, assim como cada lágrima
rertonada eternamente.
Eu te amo, e mesmo mortal,
conservo bem acolhido em mim
a esperança que só tenho no amor.
Essa esperança de vê-lo adentrado
no jamais desfeito, no mundo sem tempo:
Te amo no ontem e lá
Te amo no agora e aqui
Te amo no futuro e para além do aqui e do lá.
Eu te amo na eterna fuga desse amor passageiro...
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