alívia a minha dor e
torna-te feliz
para juntos
sorrirmos vestindo qualquer coisa
loucos com copos na mão.
Arquejemos nessa felicidade pequena.
Torna-te feliz
porque ainda estamos eu e você aqui.
terça-feira, 31 de março de 2009
segunda-feira, 30 de março de 2009
Recordações
Quanto à minha mala de viagem, não sei o que havia nela. Ela era azul, de um azul envelhecido, com alças longas, também desgastadas. Pesava muito, e eu, tinha que carregá-la nas mãos, às vezes, arrastava-a no chão. Fomos para todos os lugares, conhecemos todas as virtudes e todos os vícios, vimos todos os rostos e todas as pessoas que poderíamos ver.
Abrir essa mala, significaria querer vislumbrar o que foi colocado nela há muitos anos atrás, significaria mexer no que está intocado, imóvel, dormente. Não lembro o que há dentro dela, talvez, um mundo de outros tempos, talvez, algumas roupas que já não me servem mais, ou ainda, qualquer coisa que naquele tempo parecesse demais valioso para mim, mas, que hoje, talvez não tenha valor nenhum. O tempo mata em nós essa idéia de valor, de apego e apreço pelas coisas e pelas pessoas. Ele inverte papéis, o que outrora me fazia rir, hoje, nesse exato momento pode me fazer chorar ou, simplesmente não me fazer sentir nada. Isso é o que há de pior. Não sentir nada é como ver retratos que aos poucos vão amarelando e sumindo da foto, e por fim o que sobra, é só essa moldura tosca, guarnecida de valor nenhum, por isso, nunca me apeguei a nada, por isso, nunca quis ver o que coloquei dentro dessa mala. Tenho medo das mudanças, não suportaria sentir essa inversão de papéis, ainda mais, não suportaria lembrar do que já esqueci.
Sempre nos esquecemos das coisas, não importa o quanto elas nos tenham marcado. Não esquecemos das coisas por maldade, elas apenas somem como que sabendo que precisam dar espaço para novas coisas, e estas novas coisas também sumirão no devido tempo delas de sumirem e de serem esquecidas por nós. Se há alguma coisa de mal em mim, é o fato de eu ter sido feito para esquecer. Logo, se amo alguma coisa de fato, amo incondicionalmente o tempo, mesmo não querendo.
Essa minha mala me ensinou tudo o que sei. Não a abro, pois, quero deixar o que guardei intocado, seja lá o que estiver lá dentro, não quero esquecer, e, para não esquecer, basta que eu não abra e acorde as coisas que nela estão guardadas. Deveríamos guardar tudo dentro de malas, aprisionar as coisas até o momento em que deixaremos de ser. Quanto à mim, fiz isso! Aprisionei coisas que não quero deixar escapar.
Para não esquecer das coisas, nas mais das vezes, é preciso deixá-las de lado como que escondidas secretamente no fundo de alguma mala, pois lá dentro elas estarão salvas, novas, sempre novas, porque o que envelhece somos nós, nossas lembranças e nossos apreços que aos poucos deixam de ser apreços para se tornarem qualquer coisa sem valor nenhum.
Por enquanto, seguimos constantemente ali, lá e cá, visitando pessoas, conhecendo lugares, sentido e arquejando no tempo, mas, quando eu estiver livre dele, desse mal dos homens, vou abri-la e, com certa comoção que ainda não sei como será, as coisas que nessa mala hoje estão aprisionadas sairão dançando, e eu, as seguirei dançando também nessa euforia que é o para sempre.
Abrir essa mala, significaria querer vislumbrar o que foi colocado nela há muitos anos atrás, significaria mexer no que está intocado, imóvel, dormente. Não lembro o que há dentro dela, talvez, um mundo de outros tempos, talvez, algumas roupas que já não me servem mais, ou ainda, qualquer coisa que naquele tempo parecesse demais valioso para mim, mas, que hoje, talvez não tenha valor nenhum. O tempo mata em nós essa idéia de valor, de apego e apreço pelas coisas e pelas pessoas. Ele inverte papéis, o que outrora me fazia rir, hoje, nesse exato momento pode me fazer chorar ou, simplesmente não me fazer sentir nada. Isso é o que há de pior. Não sentir nada é como ver retratos que aos poucos vão amarelando e sumindo da foto, e por fim o que sobra, é só essa moldura tosca, guarnecida de valor nenhum, por isso, nunca me apeguei a nada, por isso, nunca quis ver o que coloquei dentro dessa mala. Tenho medo das mudanças, não suportaria sentir essa inversão de papéis, ainda mais, não suportaria lembrar do que já esqueci.
Sempre nos esquecemos das coisas, não importa o quanto elas nos tenham marcado. Não esquecemos das coisas por maldade, elas apenas somem como que sabendo que precisam dar espaço para novas coisas, e estas novas coisas também sumirão no devido tempo delas de sumirem e de serem esquecidas por nós. Se há alguma coisa de mal em mim, é o fato de eu ter sido feito para esquecer. Logo, se amo alguma coisa de fato, amo incondicionalmente o tempo, mesmo não querendo.
Essa minha mala me ensinou tudo o que sei. Não a abro, pois, quero deixar o que guardei intocado, seja lá o que estiver lá dentro, não quero esquecer, e, para não esquecer, basta que eu não abra e acorde as coisas que nela estão guardadas. Deveríamos guardar tudo dentro de malas, aprisionar as coisas até o momento em que deixaremos de ser. Quanto à mim, fiz isso! Aprisionei coisas que não quero deixar escapar.
Para não esquecer das coisas, nas mais das vezes, é preciso deixá-las de lado como que escondidas secretamente no fundo de alguma mala, pois lá dentro elas estarão salvas, novas, sempre novas, porque o que envelhece somos nós, nossas lembranças e nossos apreços que aos poucos deixam de ser apreços para se tornarem qualquer coisa sem valor nenhum.
Por enquanto, seguimos constantemente ali, lá e cá, visitando pessoas, conhecendo lugares, sentido e arquejando no tempo, mas, quando eu estiver livre dele, desse mal dos homens, vou abri-la e, com certa comoção que ainda não sei como será, as coisas que nessa mala hoje estão aprisionadas sairão dançando, e eu, as seguirei dançando também nessa euforia que é o para sempre.
domingo, 29 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Fluxo do mar
"Oh lady please
give me the sunshine
instead of the night."
Ao abri-me uma vez mais,
vislumbrei de outras épocas
o mar tão mar de meus desejos.
Fui colhendo conchas
molhando os pés na água d'sal
deixando o vai-e-vem das ondas
acariciarem minhas pernas.
Parei.
Deitei na areia
abri os braços
e esperei do sol
teus gracejos mornos.
Sonhei.
Encolhido de forma fetal
esperei-te sempre à espreita
da paixão.
Não havia mais vergonha.
Acolhi-te junto ao peito
enquanto o cais ainda preparava seu
singelo despertar.
Dormimos eu, você e o mar
Abandonados a nós mesmos.
Beijos, suspiros e eternas juras
eclodiam num azul
que fugia de nossas almas.
A praia toda lançava de si
um colorido primaveral
uma promessa jamais desfeita
calmaria sem meios sóis.
Misturamos
nossas mãos
no entrelaçar único
que só aos poemas cabe dizer.
Findamos.
A praia escureceu
as canoas voltaram
a noite nasceu
a estrelas brilharam.
Por isso, faço de cada poema meu para você
o último
de cada gesto o mais singelo
de cada amor o mais incessante perpétuo.
Aprendeis com a praia menino
Porque
A manhã é sempre cedo.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Dijo que no le importaba
Dijo que no le importaba la soledad
dijo que no le importaba con el sol
lluvia todas las noches...
Sem pai,
de tribos distantes,
comia e bebia
o mel e o leite que a terra derravama
fraternalmente em prol dele.
Havia de ser todo o mundo
sua tênue morada
O colo e o peito
de suas intermináveis construções.
Havia de ser o chão
o limite de seus pés
a caminhada descalçada
sob as areias e os mares.
dijo que no le importaba con el sol
lluvia todas las noches...
Sem pai,
de tribos distantes,
comia e bebia
o mel e o leite que a terra derravama
fraternalmente em prol dele.
Havia de ser todo o mundo
sua tênue morada
O colo e o peito
de suas intermináveis construções.
Havia de ser o chão
o limite de seus pés
a caminhada descalçada
sob as areias e os mares.
Havia de ser a glória
o brilho dos seus olhos
o sol quente
tornando a pele morena.
Queria eu
ser esse Homem-do-mundo!
Fazer de todos os lares os meus lares
de todos os caminhos os meus caminhos
Aquém de todos os sonhos!
Quando muito, fiz de mim
o portador de todas as dores,
é por isso, que preciso de todos
é por isso, que chovo todos os dias.
o portador de todas as dores,
é por isso, que preciso de todos
é por isso, que chovo todos os dias.
terça-feira, 24 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
Una noche
Você diz que vem, e eu espero
diz que está trazendo algo para bebermos, lavo os copos
precisa de cama, eu a arrumo
quer comer, preparo comida
precisa de roupa limpa, lavo-as e as preparo
com um carinho todo especial.
Você diz que está vindo
e eu, aflito, construo num só suspiro
nossa noite tão noite, tão profundamente escura
como as bocas que se encontram.
Dizes sempre estar vindo
e por isso, faço de mim
expectativa discreta
aflição do porvir.
Às vezes, cantam e fogem de minha alma
gritos secos, quase inauditos
quando você chega
Mas, se choro, é porque não posso fazer da noite
o eterno leito de nossos corpos.
diz que está trazendo algo para bebermos, lavo os copos
precisa de cama, eu a arrumo
quer comer, preparo comida
precisa de roupa limpa, lavo-as e as preparo
com um carinho todo especial.
Você diz que está vindo
e eu, aflito, construo num só suspiro
nossa noite tão noite, tão profundamente escura
como as bocas que se encontram.
Dizes sempre estar vindo
e por isso, faço de mim
expectativa discreta
aflição do porvir.
Às vezes, cantam e fogem de minha alma
gritos secos, quase inauditos
quando você chega
Mas, se choro, é porque não posso fazer da noite
o eterno leito de nossos corpos.
domingo, 22 de março de 2009
O que sempre quis te dizer
Carente de poesia, de arte e de eternidade. Fiz-me silêncio diante de ti. Hiato. Completa nadidão. Sinal fechado. O contrário do homem. O calor degelando o frio. A noite que escurece o dia. O beijo que não quer discurso. O coração que dispensa a palavra. Euforia do parto. A respiração ecoada. A música sem som. Fiz de mim o invés do verso, o vazio, o mistério, o absurdo, o quase revelado, incompletude letrada.
Cantei-te todos os versos, assim como Deus sempre os cantou para os homens. Abrupta perfeição que não pode ser dita.
Cantei-te todos os versos, assim como Deus sempre os cantou para os homens. Abrupta perfeição que não pode ser dita.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Café de Flore
Larguemos as tripas
e voemos para o Café de Flore - mon amour!
para fazer da existência
um fenômeno qualquer.
Esta rua tão intimamente ligada à mim
não sacia minha sede de completude.
As pessoas, com seus passos rápidos, compassados
Protegidas contra o frio,
alimentam dentro de si mesmas
a ilusão de uma casa cheia
São
discretas esperanças
condenações de um único caminho.
Larguemos as tripas
Façamos da existência
Nosso grito solene de um abandono quase paternal.
Queria que tu me visses!
Afinal, onde está Deus mesmo que não exista?
se não nesse desejo de querer
um colo ou um berço ou um braço quente para
cantar cantigas que nos tempos de eu menino
meu pai, oco como eu também sou, cantava para mim.
Vem ninar e velar meu sono
Cobrir-me enquanto durmo, porque sonho um mundo
que dentro de cada pessoa
reside um outro mundo, ainda maior!
-cheio de deuses e encantos, festas e muita gente e muitas coisas, tudo isso dentro de nós!
Faz-me esquecer da escolha
porque dentro desse meu vazio tão triste, tão profundamente triste
nunca quis fazer escolha alguma...
e voemos para o Café de Flore - mon amour!
para fazer da existência
um fenômeno qualquer.
Esta rua tão intimamente ligada à mim
não sacia minha sede de completude.
As pessoas, com seus passos rápidos, compassados
Protegidas contra o frio,
alimentam dentro de si mesmas
a ilusão de uma casa cheia
São
discretas esperanças
condenações de um único caminho.
Larguemos as tripas
Façamos da existência
Nosso grito solene de um abandono quase paternal.
Queria que tu me visses!
Afinal, onde está Deus mesmo que não exista?
se não nesse desejo de querer
um colo ou um berço ou um braço quente para
cantar cantigas que nos tempos de eu menino
meu pai, oco como eu também sou, cantava para mim.
Vem ninar e velar meu sono
Cobrir-me enquanto durmo, porque sonho um mundo
que dentro de cada pessoa
reside um outro mundo, ainda maior!
-cheio de deuses e encantos, festas e muita gente e muitas coisas, tudo isso dentro de nós!
Faz-me esquecer da escolha
porque dentro desse meu vazio tão triste, tão profundamente triste
nunca quis fazer escolha alguma...
sexta-feira, 6 de março de 2009
Origens
O destino tosco
dos meninos na janela
deixava-me entrever
o completo e absoluto vazio
das tardes que caíam.
Foi quando senti desejo de lançar-me ao chão
querendo desesperadamente beijar a gleba,
poeira das floras que nunca nasceram.
Saltei o abismo da incompletude,
rolei de borco
para unir o meu eu com a terra batida
Sagrado matrimônio entre o homem e o fim.
Colhes de mim, Ó Senhor,
a última palavra humana
para teus grãos semear
no coração pequeno.
Para que tão logo,
tu possas devolver
meu ser à origem inegável
A finitude tosca de todos os dias...
dos meninos na janela
deixava-me entrever
o completo e absoluto vazio
das tardes que caíam.
Foi quando senti desejo de lançar-me ao chão
querendo desesperadamente beijar a gleba,
poeira das floras que nunca nasceram.
Saltei o abismo da incompletude,
rolei de borco
para unir o meu eu com a terra batida
Sagrado matrimônio entre o homem e o fim.
Colhes de mim, Ó Senhor,
a última palavra humana
para teus grãos semear
no coração pequeno.
Para que tão logo,
tu possas devolver
meu ser à origem inegável
A finitude tosca de todos os dias...
quinta-feira, 5 de março de 2009
Oi, vamos teclar?
A pessoa da dedicatória não está envolvida, e nem poderia! Isto é uma crónica sem conexão alguma com a realidade (ou quase sem conexão alguma).
A Franz Fernado pelos momentos virtuais.
"Oi vamos Teclar?
Odeio a internet, definitivamente odeio.
Outro dia, estava super afim de fazer uns amigos, então, entrei no MSN, o melhor lugar para isso nos dias de hoje, acreditem.
Como sempre fui educado, e logo fui dizendo oi para um dos meus contatos.
“Oi”
Esperei uns dez minutos pra chegar uma resposta.
“Oi”
“Tudo bom?”
Mais alguns minutos. (Odeio esperar respostas, parece que a pessoa não quer muito bater um papinho)
“Bem e você?”
“Bem também!”
A conversa fluiu assim, entre olas, como vai, será que chove, faz frio, e blá blá blá. (Odeio formalismos, seja na internet ou pessoalmente). De repente, não me lembro como nem por que, o meu contato, SUPER ANIMADO, disse:
“Você é tipo um forasteiro porco e mal amado.”
Isso me assustou, vou confessar, me deixou pra baixo, muito pra baixo.
“Por que?” Eu perguntei.
É claro precisava saber o porque de eu ser um forasteiro porco e mal amado, aliás, não é todos os dias que ouvimos isso. Mas, pessoalmente deve ser mais divertido alguém dizer isso, já imaginou com que cara você ficaria? Pois bem, eu já! Ficaria com cara de merda, é claro, porque, sou muito passivo as ofensas, quase como um forasteiro mal amado e porco, ou porco e mal amado, acho que tanto faz a ordem das ofensas! Era só o que me faltava elas virem em ordem hierárquica, isso, eu ainda preciso perguntar pro tal contato, super EDUCADO e claro, super AMÁVEL, afim de um papinho legal. (Nossa, me estendi demais).
“Por que eu sou um forasteiro porco e mal amado ?” Gente, como eu queria saber, e a pessoa nadinha de responder.
Olha, eu fiquei uns quinze minutos esperando a resposta, já estava angustiado, triste e aflito.
“Porque, eu nem te conheço, e você vem querendo bater um papinho legal, acho que as pessoas jogam milho e cestas vazias em você. No meu MSN, só tenho amigos, e você, com certeza, não é um deles, seu forasteiro porco e mal amado!”
Caramba, depois dessa, eu não sabia onde colocar a cara, queria me esconder atrás do pc, ficar offline, sei lá, deletar meu Orkut e acabar com essa vidinha virtual miserável. Mas, eu ponderei, já explico o porque!
“Nossa, credo, como você é rude!” Como já disse, sou muito passivo e me importo com o que as pessoas pensam de mim, seja virtual ou pessoalmente!
“Credo nada, você é um mal amado que quer sexo virtual na internet, eu sei! Percebi na hora, esse seu nickzinho[1] não mente!”
Podia sentir até o cuspi dele na minha cara de cachorro molhado sem dono. Nossa, a coisa havia tomado rumos horríveis, agora, eu era um FORASTEIRO PORCO, MAL AMADO QUERENDO SEXO VIRTUAL com um nickzinho que não deixava desmentir minhas intenções virtuais. “Calma, eu só queria bater um papo legal, nem webcam eu tenho pra querer sexo virtual. E se você não gostou do meu nick, eu mudo!”
Nossa, agora ele iria ponderar as palavras, pedir desculpas e iríamos finalmente pro papo legal que pessoalmente, ninguém tem. Gosto de conversas por internet, elas tomam rumos inexplicáveis, caminhos absurdos, e outra, você tem tempo pra responder as perguntas enquanto bebe água, fuma ou tira a roupa pro tal sexo virtual.
“Olha só, vou te bloquear, excluir e deletar, TCHAU forasteiro porco e mal amado, vá buscar sacanagem nos bate papos de sexo!”
Ele mal terminou de digitar, e já apareceu offline na minha lista! Fiquei chateado com isso, nossa, nunca pensei que nem na internet as pessoas gostavam de bater um papo legal e sem compromissos, sem ter que pagar nada ou ficar trocando olhares. O mundo real é assim, ou você sai pra conversar e gasta uma puta grana porque está com sede e quer beber coca-cola zero em algum lugar, ou você fica trocando olhares sem eira nem beira com a pessoa, o que constrange muito.
Depois de ver meu contato me excluindo, fiquei uns vinte minutos parado, estático olhando pra tela do computador. O que eu fiz? Tcharammmmm!
Fechei o MSN, o Orkut e fui pro bate papo de sexo na página da UOL, por sinal, esse bate papo da UOL, tem que ser da UOL, das outras eu não garanto, tornou-se meu point para momentos de papos legais!
Notas:
[1] Nick, do inglês, nickname, ou seja, apelido.
Odeio a internet, definitivamente odeio.
Outro dia, estava super afim de fazer uns amigos, então, entrei no MSN, o melhor lugar para isso nos dias de hoje, acreditem.
Como sempre fui educado, e logo fui dizendo oi para um dos meus contatos.
“Oi”
Esperei uns dez minutos pra chegar uma resposta.
“Oi”
“Tudo bom?”
Mais alguns minutos. (Odeio esperar respostas, parece que a pessoa não quer muito bater um papinho)
“Bem e você?”
“Bem também!”
A conversa fluiu assim, entre olas, como vai, será que chove, faz frio, e blá blá blá. (Odeio formalismos, seja na internet ou pessoalmente). De repente, não me lembro como nem por que, o meu contato, SUPER ANIMADO, disse:
“Você é tipo um forasteiro porco e mal amado.”
Isso me assustou, vou confessar, me deixou pra baixo, muito pra baixo.
“Por que?” Eu perguntei.
É claro precisava saber o porque de eu ser um forasteiro porco e mal amado, aliás, não é todos os dias que ouvimos isso. Mas, pessoalmente deve ser mais divertido alguém dizer isso, já imaginou com que cara você ficaria? Pois bem, eu já! Ficaria com cara de merda, é claro, porque, sou muito passivo as ofensas, quase como um forasteiro mal amado e porco, ou porco e mal amado, acho que tanto faz a ordem das ofensas! Era só o que me faltava elas virem em ordem hierárquica, isso, eu ainda preciso perguntar pro tal contato, super EDUCADO e claro, super AMÁVEL, afim de um papinho legal. (Nossa, me estendi demais).
“Por que eu sou um forasteiro porco e mal amado ?” Gente, como eu queria saber, e a pessoa nadinha de responder.
Olha, eu fiquei uns quinze minutos esperando a resposta, já estava angustiado, triste e aflito.
“Porque, eu nem te conheço, e você vem querendo bater um papinho legal, acho que as pessoas jogam milho e cestas vazias em você. No meu MSN, só tenho amigos, e você, com certeza, não é um deles, seu forasteiro porco e mal amado!”
Caramba, depois dessa, eu não sabia onde colocar a cara, queria me esconder atrás do pc, ficar offline, sei lá, deletar meu Orkut e acabar com essa vidinha virtual miserável. Mas, eu ponderei, já explico o porque!
“Nossa, credo, como você é rude!” Como já disse, sou muito passivo e me importo com o que as pessoas pensam de mim, seja virtual ou pessoalmente!
“Credo nada, você é um mal amado que quer sexo virtual na internet, eu sei! Percebi na hora, esse seu nickzinho[1] não mente!”
Podia sentir até o cuspi dele na minha cara de cachorro molhado sem dono. Nossa, a coisa havia tomado rumos horríveis, agora, eu era um FORASTEIRO PORCO, MAL AMADO QUERENDO SEXO VIRTUAL com um nickzinho que não deixava desmentir minhas intenções virtuais. “Calma, eu só queria bater um papo legal, nem webcam eu tenho pra querer sexo virtual. E se você não gostou do meu nick, eu mudo!”
Nossa, agora ele iria ponderar as palavras, pedir desculpas e iríamos finalmente pro papo legal que pessoalmente, ninguém tem. Gosto de conversas por internet, elas tomam rumos inexplicáveis, caminhos absurdos, e outra, você tem tempo pra responder as perguntas enquanto bebe água, fuma ou tira a roupa pro tal sexo virtual.
“Olha só, vou te bloquear, excluir e deletar, TCHAU forasteiro porco e mal amado, vá buscar sacanagem nos bate papos de sexo!”
Ele mal terminou de digitar, e já apareceu offline na minha lista! Fiquei chateado com isso, nossa, nunca pensei que nem na internet as pessoas gostavam de bater um papo legal e sem compromissos, sem ter que pagar nada ou ficar trocando olhares. O mundo real é assim, ou você sai pra conversar e gasta uma puta grana porque está com sede e quer beber coca-cola zero em algum lugar, ou você fica trocando olhares sem eira nem beira com a pessoa, o que constrange muito.
Depois de ver meu contato me excluindo, fiquei uns vinte minutos parado, estático olhando pra tela do computador. O que eu fiz? Tcharammmmm!
Fechei o MSN, o Orkut e fui pro bate papo de sexo na página da UOL, por sinal, esse bate papo da UOL, tem que ser da UOL, das outras eu não garanto, tornou-se meu point para momentos de papos legais!
Notas:
[1] Nick, do inglês, nickname, ou seja, apelido.
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