sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Átimo

À Juliana Zanetti


O quebrar brusco
de um antigo reencontro
preencheu novamente
esse hiato do silêncio.

Traspassado o tempo,
a memória intocada
relembrou num átimo
o entrelaçar das mãos.

Oscilando para todos os lados,
a lembraça irrompeu soerguida,
quase embriagada, o afeto
jamais desfeito.

Atinou sem complacência
no coração acelerado
esse carinho sem mesura
de um querer-te tão bem para sempre.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Reencontro

Talvez
Quem sabe um dia
por uma alameda do zoológico
você também passará.

Eu, atônito e mudo,
recordarei os poemas que te fiz:
tinta e papel
ocultando velhos sentimentos.

Talvez um dia,
nessa tarde tão tarde,
Por uma alameda do zoológico
você também chegará,
inaudita
passo lento,
Atando de maneira tão fresca
esse antigo reencontro
de um impossível carinho.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Todos, menos eu

Por entre os desfiles de fevereiro,
num sábado de sol
fui caminhando.

Passavam pessoas que cantavam,
passavam pessoas que sambavam,
passavam pessoas que tocavam
E todos iam ao ronco da cuíca.

Havia uma multidão de carros
havia um multidão de pessoas
havia uma multidão de mulatas
E todos seguiam seus próprios sambas em passeatas.

Estava quente
estava lotado
estava suado
E todos tinha cerveja ao lado.

Compravam vinho
compravam confente
compravam comida
E todos admiravam a passista.

E todos iam ao ronco da cuíca
e todos seguiam seus próprios sambas em passeatas
e todos tinham cerveja ao lado
e todos admiravam a passista.

Passava calado
Havia tormento
Estava cansado
Comprava silêncio.
E todos, menos eu!
Ai, meu carnaval
o que foi que você fez?

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sexo e Luz

Quando o Sol
Abaixou
Num dia tão monótono,
A paixão
Me deixou
Atônito

Me tirou
Da rotina
E num momento único,
Alterou
Meu destino
De súbito.

Aí,
Saí do vale do meu tormento,
E fui
Cair no lago do teu amor;
Ali,
Aliviei todo o meu sofrimento,
E ui,
Me vi gemendo de prazer que nem de dor.

Enfim, lancei
De mim um grito;
E em ti, fui um
Com o infinito.

E no céu
Do meu eu,
No íntimo, no âmago,
Acendeu
Um límpido
Relâmpago.

No ápice,
Em átimos
Que pareceram séculos,
Eu me banhei
E me lavei
Em sexo e luz.

Então,
Além do monte, além do horizonte,
Oh sim,
Além do mundo, além da razão,
Oh não,
Bebi do poço sem fundo, da fonte
Sem fim,
O poço do desejo, a fonte da paixão.

Enfim, lancei
De mim um grito;
E em ti,
fui um
Com o infinito.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Brevíssima nota sobre a letra H de História da Filosofia






Em “L'abecedaire de Gilles Deleuze”, Deleuze quando chega à letra H de História da Filosofia, nos mostra porque foi um dos maiores filósofos contemporâneos, como um mestre do pensamento filosófico, ele deixa muito claro o que é a História da Filosofia, e a própria Filosofia. O que salta a alma é a beleza de sua exposição acerca da Filosofia. O filósofo cria conceitos para um determinado problema. Filosofia não é algo abstrato, matéria de especialistas. É necessário que cavemos o problema exposto nos textos filosóficos, é necessário apurar os sentidos para os problemas filosóficos. Uma vez identificado o problema, todo o desenrolar-se do texto se desenvolverá em cima de conceitos. Quando chegamos ao problema, percebemos que não há abstração alguma. Achar o problema e enteder os conceitos é mais divertido que romances ou novelas!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Gaiatice

Olhava para
os ombros dela,
para a boca dela,
olhava para
os seios dela
Olhava por entre as pernas dela,
Pernas miúdas
escancaradas como uma porta empenada.
Ela
ia abrindo cada vez mais as pernas
de olhos fechados, é claro!
Porque para ela, essa mulher de pernas miúdas,
olhar não era sentir, não era fazer gemer, não era fazer gritar.
Ela queria o contrário do fechar-se,
queria abrir-se cada vez mais,
sem olhar, ela queria
se abrir
em um só desmedido movimento.