segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Considerações sobre o Anti senso comum

(I) Peso Incomensurável

Do ar fez-se peso incomensurável para suportar.Como um balão de festa depois de tanto flutuar em meio a outros, no final viu-se condenado ao lixo. Ela se deixou estourar. Transbordava em lágrimas como confeitos que caem de um balão de aniversário infantil.Em precisão anatômica, de sua boca ecoou solapado e frio o grito de Munch, o último beijo de Klimt, a despedida de toda uma vida que não foi, mas poderia ter sido. Faltou medo de errar, de sofrer, de perder, faltou a antevisão da imperfeição dos dias, do corpo, faltou a serenidade do erro que lapidado em orgulho não se deixava ver.Sob os olhos cerrados e o corpo em forma fetal, toda sua decência moral fluía por entre seus dedos fazendo com que ela percebesse toda a vida errante que não deu em caminho algum, antes disso, trouxe a coragem que nas mais das vezes é renúncia de vida!Renúncia de temer a imperfeição,
o devinir de cada vida singular...

(II) Da Glória e da vileza

É estranho como o choque entre duas realidades diferentes, ou, quase diferentes, pode provocar reverberações cujo ritmo é dissoluto. É ainda mais estranho, encarar a união desses dois mundos, sem conflitos.
A colisão mais cedo ou mais tarde ocorreria. Há alguma escapatória?
Para aqueles que almejam a glória, minha complacência sem limites. Para alguém como eu que nunca saiu do algoz, o esquecimento. O contrário da glória, o invés do bom, o não-portador da risada.
Sou eu quem não quer glória! É a mim que devem se dirigir todas as calamidades penosas e toda garoa que ainda não se fez chuva!
Aplaudirão os de mesma origem que a minha, já, aqueles que esperam esse estado divino, deixaram minha morada!
Não quero glória, e com ela, todo o pandemônio, todo o estardalhaço do barulho. Fila, façam fila os homens que querem recompensa, mas não esqueçam de pagar!
Sou eu o histérico o qual a roda não fala, é a mim que se dirigem os flagelados que já não querem mais dançar sob as regras do jogo! já estão fartos de sorrir!
Há de se ter finura, sorrisos e bom sentimentos! Mas, je ne suis pas sorriant! E claro, faço das situações qualquer coisa de trágico!
Há de se aprender a viver tendo o fim em vista!
Anti-senso comum! É disso que falo! Anti-bons-sentimentos da alma! Anti tagarelices intermináveis!
Fora os que não sabem viver! Fora os que precisam de glória! Adeus aos que não elevam suas condições para o além das possibilidades!
As portas estarão fechadas para os homens banais, trancadas para todos aqueles que não querem deixar tombar a máscara.
Deixo meus votos de grandeza para os homens de poesia, que fazem da vida o além da glória barulhenta e sem sentido!
Há muito o homem desaprendeu a viver, e hoje, o não-comum é motivo de espanto e escárnio. Todavia, sabeis vós, homens imersos na vulgata, que somos nós aqueles que expulsamos vocês dessa morada!

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