segunda-feira, 1 de junho de 2009

Poema sem palavra

Há sempre uma terna e tênue esperança
quando digo que te amo,
quando quero abrir mão de todo eu
para ser só você.
Por mais que todos os poemas e todas as canções
tenham já descrito o amor de todos os tempos
eu te amo para além e aquém disso tudo,
desse medo
de dizer que te amo, assim, simples.
Queria que todas essas palavras
por mais fracas e limitas que possam ser
dissessem que eu te amo como quando eu sinto que te amo.
O amor nos vícia,
quer-nos imortal para ele.

Há sempre esperança nesse amor
que se repete todos os dias, mas que nunca é o mesmo.
Eu te amo quando o dia nasce,
e também quando a noite cai.
Mas já te amo de outro modo que só
cabe ao amor explicar,
um amor revestido outra vez mais.

Te amo no vir-a-ser desse amor
nessas mudanças corriqueiras
nas ilusões perdidas,
te amo em todas as precipitações finitas do mundo,
te amo como homem que tem sonhos inúteis
e que não sabe lidar contra o fim das coisas que nasceram
justamente para ter fim.
Porque se esse amor tão acolhido por mim, segue as regras da vida,
ele às vezes escapa fugaz, porém completo.
Adentra essa ordem eterna
para continuar te amando para sempre.
Para sempre, mesmo com as futuras rugas
e com toda a escassez dessa rotina pálida.

Te quero ontem em casa,
presente desde os primeiros tempos da vida
Te quero agora, de corpo inteiro
na fuga constante das horas
Te quero amanhã em casa desde ontem até agora
pra fazer girar o tempo
em direção ao nunca desfeito.

Tudo no mundo que é,
só é, porque vai um dia acabar.
O amor não foge à regra.
E, se um dia começou,
é porque um dia, irá também acabar.
Mas quero ele todo inteiro desde sempre até o para sempre,
quero-o repetidas vezes
do começo ao fim
Cada sorriso, assim como cada lágrima
rertonada eternamente.

Eu te amo, e mesmo mortal,
conservo bem acolhido em mim
a esperança que só tenho no amor.
Essa esperança de vê-lo adentrado
no jamais desfeito, no mundo sem tempo:
Te amo no ontem e lá
Te amo no agora e aqui
Te amo no futuro e para além do aqui e do lá.
Eu te amo na eterna fuga desse amor passageiro...


















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