terça-feira, 14 de abril de 2009

Líquido de beber

Com a garganta seca de sede,
quis desde sempre
derramar minha vida volátil na sua
tornar extinta essa sede
que outrora era inefável,
que outrora, era de um indizível líquido escorrendo
em arroio de olho-d'água.

Digo para mim mesmo
todos os dias
do anseio em querer sentir urdido
o meu corpo mortal
no seu corpo mortal.
É de um anseio molhado que falo,
que chove oblíquo,
que quer o seu braço, o seu ombro, a sua pele
entornada na minha,
encharcada somente com a minha.

Por isso vens...

Destoa teu gemido
deixa gotejar gota-a-gota
o seu próprio corpo
para cessar com o calor e matar a sede do meu.
Verte essa finitude compassada do tempo
em um querer beber
traduzindo minha sede
nesse gozo de ver jorrar cristalina
a eternidade molhada, lambusada.

Anda!
Trasnborda o teu lábio no meu
mata essa sede de água de pote,
derrama de uma vez por todas
a sua vida - líquido gelado - na minha boca
pra fazer cessar
essa aridez das minhas angústias...

1 comentários:

Franz. disse...

transborda-lo-ei.