Você diz que vem, e eu espero
diz que está trazendo algo para bebermos, lavo os copos
precisa de cama, eu a arrumo
quer comer, preparo comida
precisa de roupa limpa, lavo-as e as preparo
com um carinho todo especial.
Você diz que está vindo
e eu, aflito, construo num só suspiro
nossa noite tão noite, tão profundamente escura
como as bocas que se encontram.
Dizes sempre estar vindo
e por isso, faço de mim
expectativa discreta
aflição do porvir.
Às vezes, cantam e fogem de minha alma
gritos secos, quase inauditos
quando você chega
Mas, se choro, é porque não posso fazer da noite
o eterno leito de nossos corpos.
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