Monólogo em poema.
Deve-se declamar as estrofes um e dois de maneira abrupta, sentar-se em seguinda na cadeira como que caindo desfalecido, levar ambas as mãos ao cabelo, puxando-os levemente para cima.
As estrofes três e quatro devem ser declamadas com profundo pesar. Deve-se permanecer intacto, imóvel e inárravel.
A quinta e a sexta estrofe, devem ser lidas de forma abrupta, porém, com voz flagelada de dor. Levanta-se declamando a sétima e oitava estrofe com revolta e amargura, (abrupto). Deve-se permanecer imóvel, porém, de pé.
Por fim, a última estrofe (nona), deve ser declamada com pequenas pausas, retomando a melancolia presente na sexta e na sétima estrofe. O último verso deve ser declamado de forma sussurada, leve, angustiante e pausada.
A um fio
do vazio,
hiato da fala
A um passo
do fim,
intangível recuo.
O abusivo caminho
num fim de partida,
cança aos pés descalçados.
Te amei sonâmbulo,
trêmulo, mas afoito,
te amei por inteiro.
A indizível melancolia
de uns versos esquecidos
tingem no papel
antigos sentimentos.
Enquanto cantávamos, o sonho,
que era rasteiro,
fugia por debaixo da porta
Mistura de poeira e nada.
Queria que me visses
ceder e temer
a densa noite escura
para que no final,
eu recuasse e temesse o fim,
voltando mais uma vez absorto
para os seus braços.
E tua insígnia,
presente meu
que carregas junto do peito,
reluzirá, porque volta e meia
eu morro por ti.
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