Mãe D'água
Kirimurê nunca visitada
dorme em mim
quieta, paciente e salgada
espera acordar molhada
nas espumas quentes do mar
nos instantes junto da areia
espelhando todas as noites brasileiras.
É o mar
que vivo para mirar
Minha mãe d'água
mora lá
Na loca das pedras
mora lá...
Mãe d'água que vive em mim
também dona das
águas dos meus olhos
sabe porque choro tanto assim
vou além da arrebentação
por não saber quase nada do mar junto de mim...
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Jurema
Jurema
Aos pés da jurema
foi que deixei nós dois,
pra viajar
e descobrir no mundo
vocação de servidão
quando meus olhos e
esse coração com tentação pra ser feliz
saltou à boca
bateu errado
descompassado
sem você aqui
e de imediato voltei,
correndo, absurdo
pro juremal
E prometi num pacto de beijo
a eternidade para nós dois
à sombra da mesma jurema em que me despedi !
Aos pés da jurema
foi que deixei nós dois,
pra viajar
e descobrir no mundo
vocação de servidão
quando meus olhos e
esse coração com tentação pra ser feliz
saltou à boca
bateu errado
descompassado
sem você aqui
e de imediato voltei,
correndo, absurdo
pro juremal
E prometi num pacto de beijo
a eternidade para nós dois
à sombra da mesma jurema em que me despedi !
domingo, 7 de setembro de 2008
Campo de pedras - O Absurdo lógico
"Eternamente en fuga como la ola. "
Campo de pedras
Passei a noite de ontem
fazendo contas
de todas as tantas vezes que morro.
A primeira das mortes,
a mais dolorosa por não se dar conta
de que mais morremos do que vivemos,
foi quando despedi-me
dos poucos amigos que tive,
pois não há partida sem separação.
A dor ainda igual
veio sem o espanto
como da primeira vez
e eu morro
deixando para trás rasteiros sonhos... não, rasteiras ilusões
que aos poucos se foram apagando
do coração,
deixando apenas
pequenas particulas de poeira
que aos olhos incomodam
e fazem, por vezes, chorar...
terminei morrendo mesmo
quando o presságio
que balança a copa das árvores
anunciando
notícias que não estão em lugar nenhum
aos meus cabelos veio carinhar
oscilando-os para trás
dizendo da vida que era morte
e fiz desse gesto unilateral
meu único alimento seguro
que dia-após-dia morre...
mas se tudo der certo
há de chegar a hora
em que morri!
definitivo como as pedras
que desde sempre
estiveram povoando os campos
-imóveis e seguras...-
Campo de pedras
Passei a noite de ontem
fazendo contas
de todas as tantas vezes que morro.
A primeira das mortes,
a mais dolorosa por não se dar conta
de que mais morremos do que vivemos,
foi quando despedi-me
dos poucos amigos que tive,
pois não há partida sem separação.
A dor ainda igual
veio sem o espanto
como da primeira vez
e eu morro
deixando para trás rasteiros sonhos... não, rasteiras ilusões
que aos poucos se foram apagando
do coração,
deixando apenas
pequenas particulas de poeira
que aos olhos incomodam
e fazem, por vezes, chorar...
terminei morrendo mesmo
quando o presságio
que balança a copa das árvores
anunciando
notícias que não estão em lugar nenhum
aos meus cabelos veio carinhar
oscilando-os para trás
dizendo da vida que era morte
e fiz desse gesto unilateral
meu único alimento seguro
que dia-após-dia morre...
mas se tudo der certo
há de chegar a hora
em que morri!
definitivo como as pedras
que desde sempre
estiveram povoando os campos
-imóveis e seguras...-
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Austero - O Absurdo lógico
Fechou-se em forma fetal
encolhido no centro
dos séculos.
Não havia nada
mais a dizer
Não havia sobrado
nada mais para dizer...
Tudo lá era tão grave
falava-se de proposições, axiomas e atributos
falava-se do Ser, da infinitude e da
causa não causada
Tudo lá era extremamente grave...
Quando quis de novo emergir
tudo lhe era estranho,
lá fora
não havia a correspondência
desejada e tão querida
Cobriu seu rosto com
a mão esquerda deixando
entre os olhos uma fenda de dedos
para olhar escondido o mundo tão raro, tão caro!
-Vamos menina dançar
porque tudo aqui é tão grave!
Não havia ninguém
para dançar
Não havia ninguém que soubesse dançar...
Passado o tempo
dos olhos, sua mão
desceu suave e quente
passando destoada
do nariz para a boca com sede
e lá ficou
não havia nada a dizer
em lugar algum
não havia menina que quisesse dançar
porque...
tudo em toda parte é tão grave...
encolhido no centro
dos séculos.
Não havia nada
mais a dizer
Não havia sobrado
nada mais para dizer...
Tudo lá era tão grave
falava-se de proposições, axiomas e atributos
falava-se do Ser, da infinitude e da
causa não causada
Tudo lá era extremamente grave...
Quando quis de novo emergir
tudo lhe era estranho,
lá fora
não havia a correspondência
desejada e tão querida
Cobriu seu rosto com
a mão esquerda deixando
entre os olhos uma fenda de dedos
para olhar escondido o mundo tão raro, tão caro!
-Vamos menina dançar
porque tudo aqui é tão grave!
Não havia ninguém
para dançar
Não havia ninguém que soubesse dançar...
Passado o tempo
dos olhos, sua mão
desceu suave e quente
passando destoada
do nariz para a boca com sede
e lá ficou
não havia nada a dizer
em lugar algum
não havia menina que quisesse dançar
porque...
tudo em toda parte é tão grave...
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
...Y
Sofro da inexorável
condição de ser o amor
pão e vinho de cada dia,
raiz que perfurando a leiva
cava fundo até
o núcleo da terra
transformando-se num
Implacável gesto de querer, pois
retenho teu coração
diante dos meus olhos,
Seguidores meticulosos
de cada movimento:
do alimento levado à boca
a alegria dos ojos intranquilos,
onde em gesto nu de audácia
ponho-me a enfrentar
a irreductible soledad
diante do altar do esquecimento.
Para então
partilhar do pão para comê-lo;
fartar o copo de vinho para bebê-lo;
desnudo de pudor, medo ou cólera
porque,
no se podría jamás vivir sin amar
sem amor...
sólo existimos
como corpos que lutam
e devoram uns aos outros
y nada más...
y todo mal...
pues...
quando
dijo que no le importaba la soledad
mentia
e sabia
da fome e da sede que sentia!
Sofro da inexorável
condição de ser o amor
pão e vinho de cada dia,
raiz que perfurando a leiva
cava fundo até
o núcleo da terra
transformando-se num
Implacável gesto de querer, pois
retenho teu coração
diante dos meus olhos,
Seguidores meticulosos
de cada movimento:
do alimento levado à boca
a alegria dos ojos intranquilos,
onde em gesto nu de audácia
ponho-me a enfrentar
a irreductible soledad
diante do altar do esquecimento.
Para então
partilhar do pão para comê-lo;
fartar o copo de vinho para bebê-lo;
desnudo de pudor, medo ou cólera
porque,
no se podría jamás vivir sin amar
sem amor...
sólo existimos
como corpos que lutam
e devoram uns aos outros
y nada más...
y todo mal...
pues...
quando
dijo que no le importaba la soledad
mentia
e sabia
da fome e da sede que sentia!
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