
Na viagem que fazemos
todo os anos no natal,
uma estrada sem asfalto
se eleva na divisa entre cidades,
mas, eu não sei ao certo aonde vai dar.
Sempre que nos aproximamos da estrada
eu, abro o vidro do carro,
soerguendo-me, fixo os olhos nela,
com a esperança de que diminuam a velocidade
para que eu possa olha-la mais.
Eis que passa diante de mim, correndo, a pequena estrada
que não sei ao certo aonde vai dar.
Quando ela passa, ainda viro-me para trás,
procurando quase aflito, algum carro que
vire à esquerda para toma-la e ir em direção
de não sei onde.
Não seguem carros por ela,
tão pouco, pessoas sem carro ou bicicleta.
Nem animais, nem aves, nem peixes, porque
ao lado dela, não há um rio, não há muito o que se ver.
E lá, intocada, à esquerda, depois da divisa entre as cidades
essa pequena estrada sem asfalto que não sei aonde vai dar
não é percebida
por entre as pessoas que passam de carro em alta velocidade
sobre a estrada de asfalto, com suas placas,
faixas no chão e postos de gasolina prontos para abastecer
os tanques dos automóveis que correm nas estradas de asfalto.
Eu sempre quis seguir por entre aquela estrada tímida
que fica depois da divisa entre as cidades.
Sempre quis, seguir a pé, porque esses automóveis
que circulam nas estradas de asfalto
correm, e quando passam perto de outros automóveis,
que também correm,
fazem aquele barulho causado pelo atrito do ar.
Na pequena estrada sem asfalto, que eu não sei onde termina,
não correm carros, portanto, não há barulho.
Também, pelo pouco que sempre vi,
não existem placas, postos, nem faixas no chão.
Essa estradinha sem asfalto parece invisível
aos olhos dos motoristas que gostam
das estradas bem asfaltadas com piche, concreto e pedra.
Depois da divisa, ela soergue-se como que querendo
se mostrar só para mim,
porque os motoristas dos automóveis movidos
a álcool, gasolina, biocombustível, luz, energia ou pilha
não a querem perceber de propósito,
porque ela é feita de terra e não de asfalto
e não tem ao seu redor incontáveis postos de gasolina
com suas incontáveis lojas de conveniência,
onde pode-se parar, comprar uma cerveja
comer uma batata frita, e seguir satisfeito a viagem.
Essa estradinha sem asfalto,
que passamos sempre quando
seguimos viagem nas vésperas de natal,
sempre foi a estradinha que eu quis andar,
Mas sempre, continuamos reto, e jamais viramos à esquerda,
porque, toda véspera de natal, é preciso que cheguemos
ao local onde todas as mesmas pessoas nos esperam,
onde todas essas mesmas pessoas, também tiveram
de tomar a estrada de asfalto, abastecer seus carros
e comer e beber nas lojas de conveniência.
Por isso, só por isso
nunca tivemos a coragem tão necessária
para descobrir o fim
daquela estradinha não asfaltada
Falta-nos coragem para virar à esquerda
e deixar de seguir pela estrada asfaltada,
que conhecemos tão bem.
Eu, quis seguir pela estradinha de terra,
mas nunca tive coragem
de pedir que virassem à esquerda
em vez de corrermos reto o caminho decorado...
todo os anos no natal,
uma estrada sem asfalto
se eleva na divisa entre cidades,
mas, eu não sei ao certo aonde vai dar.
Sempre que nos aproximamos da estrada
eu, abro o vidro do carro,
soerguendo-me, fixo os olhos nela,
com a esperança de que diminuam a velocidade
para que eu possa olha-la mais.
Eis que passa diante de mim, correndo, a pequena estrada
que não sei ao certo aonde vai dar.
Quando ela passa, ainda viro-me para trás,
procurando quase aflito, algum carro que
vire à esquerda para toma-la e ir em direção
de não sei onde.
Não seguem carros por ela,
tão pouco, pessoas sem carro ou bicicleta.
Nem animais, nem aves, nem peixes, porque
ao lado dela, não há um rio, não há muito o que se ver.
E lá, intocada, à esquerda, depois da divisa entre as cidades
essa pequena estrada sem asfalto que não sei aonde vai dar
não é percebida
por entre as pessoas que passam de carro em alta velocidade
sobre a estrada de asfalto, com suas placas,
faixas no chão e postos de gasolina prontos para abastecer
os tanques dos automóveis que correm nas estradas de asfalto.
Eu sempre quis seguir por entre aquela estrada tímida
que fica depois da divisa entre as cidades.
Sempre quis, seguir a pé, porque esses automóveis
que circulam nas estradas de asfalto
correm, e quando passam perto de outros automóveis,
que também correm,
fazem aquele barulho causado pelo atrito do ar.
Na pequena estrada sem asfalto, que eu não sei onde termina,
não correm carros, portanto, não há barulho.
Também, pelo pouco que sempre vi,
não existem placas, postos, nem faixas no chão.
Essa estradinha sem asfalto parece invisível
aos olhos dos motoristas que gostam
das estradas bem asfaltadas com piche, concreto e pedra.
Depois da divisa, ela soergue-se como que querendo
se mostrar só para mim,
porque os motoristas dos automóveis movidos
a álcool, gasolina, biocombustível, luz, energia ou pilha
não a querem perceber de propósito,
porque ela é feita de terra e não de asfalto
e não tem ao seu redor incontáveis postos de gasolina
com suas incontáveis lojas de conveniência,
onde pode-se parar, comprar uma cerveja
comer uma batata frita, e seguir satisfeito a viagem.
Essa estradinha sem asfalto,
que passamos sempre quando
seguimos viagem nas vésperas de natal,
sempre foi a estradinha que eu quis andar,
Mas sempre, continuamos reto, e jamais viramos à esquerda,
porque, toda véspera de natal, é preciso que cheguemos
ao local onde todas as mesmas pessoas nos esperam,
onde todas essas mesmas pessoas, também tiveram
de tomar a estrada de asfalto, abastecer seus carros
e comer e beber nas lojas de conveniência.
Por isso, só por isso
nunca tivemos a coragem tão necessária
para descobrir o fim
daquela estradinha não asfaltada
Falta-nos coragem para virar à esquerda
e deixar de seguir pela estrada asfaltada,
que conhecemos tão bem.
Eu, quis seguir pela estradinha de terra,
mas nunca tive coragem
de pedir que virassem à esquerda
em vez de corrermos reto o caminho decorado...



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