Tradução caseira do comentário de Boécio acerca do Peri Hermeneias de Aristóteles
(On Aristotle´s On Interpretation 9) –
Página 167 – numeração marginal 10-25
Aristóteles na verdade, nos mostra acima que quando definimos a verdade nas proposições acerca do futuro, elas destroem a contingência (as chances). Agora, contudo, por meio de uma forte argumentação, ele traça o caminho em que essa mesma verdade definitiva acerca do futuro e as proposições contingentes destroem a faculdade da escolha deliberada, dizendo que caso alguém invente algo sobre o futuro (como por exemplo) dizer uma declaração contraditória, está, por conseguinte, terá de ser ou verdadeira ou falsa, onde todas as coisas impossíveis desta declaração inventada necessariamente deverão ocorrer.
Mas, nós temos seguindo os passos de Pórfiro, quando iniciamos está disputa acerca das exposições de idéias, onde já mencionamos o que ele havia dito, quando disse antes sobre “no que diz respeito (aquelas que são) singulares e futuras” (18ª33), sendo por esta razão, de que a compreensão desta disputa acerca das exposições de idéias, é fácil caso esses objetos de estudo sejam primeiro minuciosamente investigados em conexão com as proposições singulares. Tendo falado primeiro com grande cuidado acerca das proposições singulares, ele dará inicio a exposição das proposições universais expressadas universalmente acerca das contradições que são feitas em conexão com elas. Para isso ele diz: “se de toda afirmação e negação, tanto no que diz respeito àquelas que são ditas universalmente quanto as universais ou no que diz respeito àquelas que são singulares, é necessário que um dos opostos seja verdadeiro, mas o outro falso.” (18b226-9).
Página 167 – numeração marginal 5-15
Mas sobre aquelas proposições (proposições declarativas no futuro) que dizem respeito às coisas naturais que ainda precisam ser colocadas em existência e sofrem corrupção, não é necessário que (sua contrária) sempre seja uma verdadeira e a outra falsa.
Eu não rejeito nenhuma destas exposições colocadas aqui até agora, pois, no entanto, ambas estão fundadas em uma razão muito confiável.
Agora Aristóteles destrói cada interpretação que sozinha apresentam necessariamente (sem necessidade) o comando das coisas, eventos, ou os estados de afecção. Nada do que é por natureza é em vão, mas deliberar é algo que o ser humano por natureza apresenta. Mas caso haja apenas uma necessidade que opere sobre todas as coisas, a deliberação (escolha) não seria útil e nem teria razão para operar. Portanto, não pode existir uma necessidade que opere sobre todas as coisas. Agora a ordem de apresentação do problema é dita desta forma por Aristóteles: “Este, portanto, e outros como este, são os absurdos que ocorrem quando se fala das proposições no futuro” (18b26) – ou seja, que qualquer chance nas coisas reais são rejeitadas, e mais: que a possibilidade e a vontade associada a livre escolha são banidas.
Página 170 – numeração marginal 10-18
Deixemo-nos perguntar deste modo, contudo se Deus conhece todas as coisas futuras como necessárias, então estas coisas terão que ser necessariamente. Caso alguém diga que a necessidade de resultados é uma conseqüência do conhecimento de Deus acerca das coisas futuras, ele (Deus) terá certamente o jogo a favor dele, (mas), Deus não pode conhecer todas as coisas se todas as coisas não ocorrerem por necessidade. Por isso, a necessidade dos desfechos seguem o conhecimento de Deus – [i.e.], e se não houver necessidade de desfechos, o conhecimento é impedido; e quem é tão perverso no espírito por uma razão fraca, para ousar dizer esse tipo de coisas acerca de Deus? Mas talvez alguém possa dizer que o conhecimento das coisas futuras é próprio da natureza de Deus e que a fonte da necessidade sobre todas as coisas vem de Deus, e que se roubamos o conhecimento de Deus acerca do futuro e do conhecimento real das coisas futuras, ele não é Deus. Mas se, no entanto alguém disser que, isso deve ocorrer com sua natureza; enquanto ele se esforçar para mostrar que Deus sabe sobre todas as coisas (no futuro), ele estará também alegando que Deus falha ao conhecer todas as coisas. Caso alguém defenda que ele saiba que o número dois é um número ímpar, ele não sabe isso e particularmente falhará por saber isso, o que ele pensa e o que ele sabe, pertence não a uma capacidade, mas particularmente a uma incapacidade. Portanto, quem diz que Deus conhece todas as coisas necessariamente e que por está razão, as coisas necessariamente devem ser necessárias, por isso dizem que o conhecimento de Deus não pode conhecer coisas contingentes, mas somente necessárias. Deste modo se Deus conhece todas as coisas como necessárias ele erra em seu próprio conhecimento, uma vez que nem todas as coisas são produzidas por necessidade, mas algumas são contingentes. Portanto se ele sabe que todas as coisas virão como necessárias, ele está se enganando no que diz respeito a sua própria providência! Deus conhece os futuros não como eventos necessários, mas como eventos contingentes, de maneira que ele não ignora que eles possam ser diferentes. Todavia, Ele tem completo conhecimento sobre o que acontece na razão própria dos seres humanos e suas ações.
Assim sendo, se alguém diz que tudo ocorre por necessidade, é necessário também que roubemos de Deus a benevolência, pois neste caso sua vontade divina não produzirá nada, pois tudo seria governado pela necessidade, como resultado disso teríamos que somente a necessidade de Deus conferiria benefícios e não a sua própria vontade.
Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)


0 comentários:
Postar um comentário